25 Kms pesados, mas agradáveis

Equipe "Korremos Muito"

Domingo foi dia de maratona em São Paulo. Voltamos à Ponte Estaiada, só que desta vez para correr 25 quilômetros, cheguei a correr uma meia maratona em fevereiro, em um trajeto com várias subidas e com um tempo bem mais quente. Dessa vez estava mais otimista, pois o trajeto era bem mais plano e o tempo, mais fresco. Pelo esquema que fizemos antes da prova, paramos no parque Villa Lobos e fomos até a largada de trem, brinquei com o João que faria sempre 25 quilômetros dessa prova, pois a pré-prova estava tranquila demais, pelo que tenho ouvido do percurso da maratona, me arrisco a dizer que os 25 quilômetros são o que há de melhor desta prova, passamos por retões bastante arborizados em frente ao Jockey club, em Pinheiros e finalmente o retão da raia de remo na Cidade Universitária, sei que depois da marca de 25 quilômetros, a vida dos maratonistas só piora com os dois túneis que tem que enfrentar até o final.

Outra coisa que tornou esta prova especial foi a estratégia de corrida, para uma corrida longa dessas precisamos de uma estratégia, pois então seguimos juntos, eu e o João que faríamos 25 Km e o Carlos que entrou para fazer uma maratona mesmo com o joelho em dúvida, foi algo inédito para mim, pois meus dois companheiros de corrida são bem mais rápidos que eu, mas estas circunstâncias permitiram que começássemos juntos e imprimíssemos um ritmo que fosse sustentável até o final da prova. E nesse ritmo de 9,5 Km/h ou 6:30 para cada Km, seguíamos ora conversando, ora tirando sarro de alguma situação, checando sempre se o joelho do Carlos aguentava e assim foi até o Km 17 quando o João sentiu que era hora de apertar o ritmo e seguiu, enquanto isso eu e o Carlos completamos o marco de meia maratona em 2h 18 min, bem melhores e ainda mais tranquilos que a meia maratona que fiz em Fevereiro, quando entrei no portão da USP no Km 22 senti um alívio enorme sabendo que só um retão me separava do final, comecei a apertar e deixei o Carlos para pelo menos manter o ritmo da corrida e terminar a corrida em 2h45min, como pudemos falar a prova inteira, o que me faltou foi força nas pernas e não pulmão. O Carlos terminou a maratona 2h e 20 minutos depois. Não sei se terei outra oportunidade de correr outra prova como esta, fiquei muito bem impressionado pelo que pude experimentar aquela manhã.

Neste mundo, presumivelmente é assim que as jornadas são percorridas, em companhia, e assim é bem mais prazeiroso, Jesus mesmo, quando mandou seus aprendizes para pregar em toda Israel, mandou-os de dois em dois, o caminho deles seria chato demais de se fazer sozinho, de dois em dois, um pelo menos lembrava alguma situação, ou alguma piadinha, tirava sarro de outra situação e assim um fortalecia o outro.


Quando Jesus entra na cidade

Gostei muito desse desenho, na mesma linha de alguns que utilizei no Advento:

Vamos entrar na cidade com Deus hoje

Vamos cantar hosanna ao nosso Rei

Ao filho de Deus montando em um burro

Com pastores e prostitutas,

Com o cego e o leproso

Com o abandonado e o oprimido

Vamos bradar com alegria na vinda de Cristo

E seguir aquele que acolhe o pecador e come com o marginal

Vamos tocar e ver como Deus se aproxima

Cavalgando em triunfo até a cruz

(por Christine Sine, Godspace)


Subvertendo o Império

Comecei a ter idéia do livro nas indicações que a Amazon.com dava com base no meu perfil o livro sempre aparecia na lista, depois de ler diversas indicações que lia nos livros do Alan Hirsch e Michael Frost achei que o livro seria muito interessante e realmente foi.

Um dos propósitos dos autores era posicionar o livro em nosso contexto, e uma das coisas que me marcou bastante foi a descrição do dia a dia dos colossenses (cidadãos de Colossos, hoje na Turquia) na época, uma sociedade que orbitava ao redor dos interesses do Império Romano à medida que este propositadamente deixava sua marca e influência em todos os momentos possíveis da vida naquela época. Nisso o autor foi bem feliz em comparar aquele momento com o nosso, como lá, as pessoas tinham a imagem de César até na louça de casa lembrando quem tornava aquele conforto possível, hoje vivemos um otimismo quando temos uma tecnologia acessível que nos permite fazer muita coisa que era inimaginável há 20 anos atrás, e temos as marcas onipresentes em nossa casa nos lembrando quem torna esse conforto “possível”.

Mas o interessante era ver o porém de tudo isso, enquanto muita gente curtia esse mundo que caminhava com ordem e progresso, surgiam cristãos que viviam a possibilidade de um outro mundo, enquanto a sociedade caminhava bastante estratificada com cada pessoa ocupando seu lugar seja nobre, seja assalariado, seja escravo. Haviam reuniões onde as pessoas não tinham divisões entre elas, o escravo comia a mesma porção do nobre e todas proclamavam Jesus, e não César como Senhor. Imagine a ousadia destes grupos em tomar estas atitudes nas reuniões, ainda mais quando proclamar Jesus como Senhor poderia custar todo o conforto que podia se ter, senão a própria vida.

Havia uma canção que fazia muito sentido a eles e foi proclamado na carta que Paulo escreveu àquela comunidade:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação

pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra,

as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades;

todas as coisas foram criadas por ele e para ele.

Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste.

Ele é a cabeça do corpo que é a igreja;

é o princípio e o primogênito dentre os mortos,

para que em tudo tenha a supremacia.

Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude,

e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas tanto as que estão na terra

quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz

pelo seu sangue derramado na cruz.”

Imagine a consequência de se proclamar isso tudo em um mundo em que César é o Senhor e que tudo gira em torno dele. Mas será que as consequências são as mesmas para quem proclama Jesus como o Senhor hoje?

E a conclusão dos autores foi que sim, proclamar Jesus como Senhor significa enxergar todo o custo do conforto que adquirimos hoje e trocar toda nossa dependência ao sistema de vida que vivemos hoje pela vida que Cristo propôs, uma vida muito mais simples e com muito mais vida. Quando nos livros do Alan Hirsch comecei a encontrar nas igrejas da mídia um Jesus tão domesticado que só teria o poder de nos fazer a se comprometer com o sistema das igrejas, neste livro pude distinguir o quanto tantas igrejas hoje se comprometem com o Império à medida que formam somente bons cidadãos que sejam bons profissionais, bons pais de família bastante admirados e distintos em sua sociedade ao invés dos grupos realmente selvagens de cristãos que surgiram após a ressurreição de Cristo que ousavam olhar para outras pessoas, dividir o que é seu e viver o mundo que Cristo começou. As implicações dessa vida em comunidade são mais profundas que ir a igreja e participar das festas que ela promove, e aí a música acima começa a fazer bem mais sentido.

O livro me deu muito trabalho quando entrou em algumas discussões filosóficas sobre pós modernidade e achei algumas contextualizações bem forçadas, mesmo assim valeu muito a pena poder refletir a respeito de tudo isso. Com certeza é algo que faz mais sentido viver do que discutir.


Céu e inferno

Cresci em um contexto em que se falava muito sobre o céu na igreja, hoje eu acho que caímos no extremo de não falar quase nada sobre o céu, até tem motivo, pois se achava que a mensagem de Jesus (quando falava sobre o Reino dos Céus) era exclusivamente sobre a vida que teremos após a morte. Por conta disso, o esforço era que se fizesse com que as pessoas orassem a “oração do pecador” arrependendo-se dos seus pecados e aceitando a Jesus como seu salvador pessoal até o leito de morte, parecia que a oração (e é lógico a intenção da pessoa no momento) ligava uma chavezinha no céu que permitia que ele fosse ao céu ao invés do inferno após a morte.

Ultimamente, tenho aprendido a ver esse “Reino dos céus” como um contraponto a todo sistema de valores que vemos no mundo e a oportunidade de viver essa realidade subversiva a partir de já em nossa vida.

Nas últimas semanas, surgiu uma propaganda de um novo livro do Rob Bell “Love Wins” que suscitou muita polêmica, pois tocou na ferida do pensamento: “os da minha igreja vão para o céu, os que não são, vão para o inferno“,  veja que até o título (mal intencionado) sugere que agora, Rob Bell pensa que não há inferno e todos vão para o céu, veja o vídeo, pra variar Rob Bell introduz muitas sacadas interessantes:

Gosto muito das mensagens desse pastor desde o Nooma, gosto de ouvir suas mensagens na Mars Hill de Michigan, e suas perguntas tem o poder de ecoar muito tempo em nossas mentes, algo que a fé precisa, boas perguntas.

O interessante foi ver todo o alvoroço que isso levantou, por que será que o pessoal fica tão incomodado ao ver uma proposta dessas? Será que o céu é o único chamariz para que as pessoas possam ir a igreja? Será que o céu é o motivo que você vai a igreja?

Tenho uma pergunta que faz toda a diferença nesta questão, e se no final todos fossem ao céu? O que isso muda na sua devoção? Será que você cairia no mundo porque isso não faria a menor diferença no final? É o pensamento do irmão do filho pródigo, viu o irmão sair de casa, ultrajar o pai e na sua volta vê a festa e se revolta, foi fiel ao pai o tempo todo e não pode falar que tem mais alegria que o irmão que fugiu de casa e voltou. Agora, se a ida ao céu tem critérios mais rigorosos, esse tipo de fé te levaria ao céu?

Creio na mensagem de Jesus e que tudo aquilo que ele falou faz sentido hoje, o pecado só faz a vida ser mais miserável, e busco fugir disso, só Jesus para me livrar dessa vida e de mim mesmo, o céu, é a coroação para tudo isso continua sendo minha grande esperança.

Eu creio na Bíblia e no que ela fala do inferno, às vezes a existência do inferno me dá o alívio de que toda a injustiça será exterminada, creio também que tem tanta gente tão cheia de si, que se coloca tão no centro do universo, que não suportaria viver uma eternidade com um Deus que receberá a glória de tudo o tempo todo, o lugar para eles é o inferno, ou será que a presença de Deus explícita será o tormento deles?

Creio também no que Jesus disse, de pessoas que não tem nem idéia do que fizeram, mas serão recebidas por Ele mesmo assim. Por isso, não tenho a menor expectativa de quem não vou encontrar no céu, eu vou ao céu, há muitos que conheço que também vão ao céu, pela vida que vivem e o compromisso que tem em seguir a Jesus, creio por tudo aquilo que Jesus mesmo prometeu na Bíblia, não tenho melhor fonte para isso, busco viver esse céu a partir de agora e busco mostrar o quanto essa vida faz sentido. Mas quanto mais conheço a graça de Deus, menos tenho condições de falar quem não vai ao céu.

Gostei de uma observação do Facebook (Carolina Shaver) “Estou em paz em deixar Deus ser Deus e julgar, quem está certo, quem não está, quem está salvo e quem não está


Direito ao silêncio

Estava pensando nisso nessa semana na praia, a medida que não temos como deixar de escutar uma música alta que disparam ao nosso lado, o sujeito que se acha no direito de tocar música alta a despeito da opinião de todos ao redor está invadindo minha privacidade e perturbando minha paz está de certa forma me violentando. Hoje mesmo encontrei um artigo muito interessante no Estadão a respeito: “O silêncio perdido”

Ser civilizado seria, assim, ser urbano: polido, educado, não invasivo, discreto, silencioso, responsável, participativo. Como na origem dos tempos, aliás, quando a polis grega foi traduzida na civitas e na urbe romanas, ampliando e entrelaçando seus significados. Palavras como política, cidade, urbanidade, civilização e civismo vieram daí. Cidadão tornou-se o indivíduo com direitos e deveres de cidade, isto é, referidos não somente ao espaço físico, mas também aos espaços públicos, compartilhados em comum com todos os habitantes.

Estávamos na praia, e no meio da tarde apareceu uma família com uma senhora caixa de som e começou a tocar para todos que estivessem na praia, uma senhora foi reclamar lá, eles riram de forma debochada e continuaram o show. Uma hora depois, apareceu dois policiais e eles falaram que só foi uma mulher reclamar com eles. É nessa base que funcionam estas coisas, no constrangimento. Foi algo que me deixou bem chateado.

Um mundo em que cada um faz o que acha que dá na cabeça acaba no pleno caos, acho também que o silêncio é o tipo de coisa que deveria ser mais levado em conta e algo mais discutido, pois é o espaço que temos e que dividimos com outras pessoas, se atento ao pudor tirando a roupa na frente de todos quando todos podem fechar os olhos, atentaria da mesma forma quando toco o que quero para todo mundo ouvir quando a única forma de evitar meu constrangimento seria saindo do local.

Tenho em mente que ser cidadão é saber dividir o espaço com todos, e isso envolve fechar os vidros do meu carro quando quero ouvir uma música mais alta, usar fones de ouvido para isso em casa ou prestar a atenção na movimentação de casa levando em conta o horário.

O motorista que buzina alucinado, o ônibus que trafega com o escapamento estourado, o motoqueiro que extrai o máximo de sua moto, a construtora que bate estacas em horários obscenos e o adolescente bem-nascido que barbariza seu prédio não têm relação alguma com o “caráter nacional”. Não são exemplos de espontaneidade e alegria, mas de má-educação. Expressam uma coletividade que perdeu consciência de si mesma, que se está tornando indiferente e pulverizada em ilhas de individualismo possessivo. São deformações e caricaturas perversas de uma cultura fundada na informalidade excessiva, produtos da modernização desregrada, excludente e predadora em que vivemos.


um ano, outro post: 2010

Acabou 2010, PH dormiu e as meninas estão fora, cheguei a ouvir uma excelente mensagem do Mars Hill e comecei a copiar alguns CDs para meu notebook,e vendo tantas retrospectivas pela blogosfera não resisti em pensar e escrever a minha, tenho muito medo de esquecer alguma coisa relevante e deixar alguém chateado, mas falando rapidamente, começamos esse ano de forma fantástica em Fortaleza, mais propriamente no Beach Park, compramos um ticket para 1 semana e passamos momentos muito legais lá, visitamos também a Igreja Batista Central de Fortaleza o que nos emocionou bastante; depois de Fortaleza, fomos a praia mais duas vezes aproveitando competições de Biathlon e Triathlon, o que adiciona um negócio muito legal, que são as viagens que fazemos com a família para as competições, cheguei a fazer três Triathlons no ano, fora o Biathlon de Fevereiro e até uma maratona aquática que fiz na minha academia, foi bem legal poder competir nestas provas, principalmente o triathlon de São Vicente, era algo que fazia parte de alguns sonhos há um tempo atrás e hoje tenho as fotos e vídeos de como é tudo isso.

Em casa, trabalhamos para eliminar meu escritório e transformá-lo em quarto para Maria Ester, foi uma grande mudança, uma pequena consequência, além disso tive a alegria de festejar meus 40 anos com bastante gente querida e também de festejar os 5 anos do Pedro com seus amigos. Pudemos nos envolver bastante em conhecer melhor os pais da escola dos meus filhos, algo que tem nos feito criar boas raízes no bairro onde moramos.

Tivemos a desagradável perda do Sr. Luiz, pai de minha esposa no final do ano, de tão rápido e inesperado, ainda tentamos pensar no que aconteceu.

Minha participação como guest blogger, rendeu minha participação no livro Viral Hope, o que foi uma enorme honra para mim, pude também participar na revisão de um livro de um colega de São Francisco, fora isso promovi algumas tentativas totalmente fracassadas de juntar um pessoal para momentos de compartilhar e isso resume meu envolvimento missional no ano. Me senti bem desconectado no ano, esse isolamento acabou me lançando em um secularismo terrível. Mas tenho esperança, isso por que Deus não deixa as coisas simplesmente assim, e assim sigo. Cheguei a escrever mais nesse blog esse ano, gostaria de me organizar mais para compartilhar melhor o que tem ocorrido, cheguei a pensar em postar uma foto por dia, mas vamos ver o que será viável.

Desejo que 2011 possamos provar muito mais do que Deus tem nos ensinado. À medida que pudemos ver um crescimento bem grande das redes sociais, espero que aprendamos a tirar proveito desse envolvimento para ações reais nesse mundo que a gente vê dia a dia.


Perdido e encontrado

Hoje, nosso Nintendo DS me roubou uma hora, após chegar em casa, depois de meio dia no escritório e ter levado as crianças ao escritório, descobri que tinha esquecido o DS lá.Comecei a pensar onde teria deixado o jogo e como. Tive que voltar ao escritório (agora nesse final de ano 30 minutos para ir e 30 para voltar). Chegando lá o desespero foi maior, pois esperava encontrar o Nintendo branco camuflado na minha mesa branca, mas a mesa até que estava meio limpa, até que comecei a revirar gavetas, rastrear o chão até que encontrei:

a provaEstava na mesa a minha frente que minha filha havia ocupado, não passou por minha cabeça em nenhuma de minhas simulações do DS ter para do lá. Até que enfim o encontrei!

É engraçado quando perdemos algo, começamos a rever os momentos de forma até frenética: Quando foi que perdemos esse jogo? Buscamos detalhes, repensamos momentos e até versões de como as coisas aconteceram.

O final de um ano traz várias reflexões e retrospectivas. Revemos todos os principais eventos do ano e aquilo que nos impactou, o problema é perdermos alguns detalhes entre estes eventos que causam as maiores mudanças, acho que só quando notamos a perda para revermos tudo isso:

- Quando foi que perdi o gosto pela poesia?

- O que aconteceu para desistir de aprender alemão?

- Quando foi que desisti de conquistar o mundo?

Foi um negócio que Jesus explorou bem para explicar como seria a vida como deveria ser, falou de uma mulher que perdeu um dinheiro importante, procurou muito, encontrou e chamou a turma para expressar o alívio, falou de uma ovelha que fugiu e seu pastor foi buscá-lo e falou de um cara que se aborreceu da vida em casa e trocou tudo por uma vida destrutiva até cair em si o quão importante era tudo que tinha ao mesmo tempo que um pai que perdeu seu filho e depois de um longo tempo pode ter seu filho de volta.

O que será que estas estórias contam a respeito de você?

Espero que você reencontre o que procura


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