Arquivo do mês: janeiro 2009

Descanso

A Christine Sine postou uma vez um conceito de Sabbath que ficou na minha mente, que é um dia para descansar e desfrutar de tudo de bom que Deus lhe deu. Uma das perguntas que fazemos ao travesseiro que conversamos foi a respeito do tempo, a pergunta que fazemos é “Como maximizar o tempo para fazer tudo o que precisamos?”, acho que acabei frustrando o pessoal, pois minha resposta foi mudar a pergunta. Para mim, maximizar o tempo é coisa para máquinas e sistemas de produção, nós não somos máquinas, nossa disposição não é a mesma o tempo todo, há dias que estamos mais propensos a abraçar e há dias que o melhor que temos a fazer é parar de abraçar mesmo.

E temos o descanso, o tempo para desfrutar de tudo o que temos e conquistamos. Tempo para olhar a tudo isso e agradecer a Deus. E tenho a bênção de poder olhar para estes últimos dias e realmente agradecer a Deus por tudo que pude passar com minha família.

Quando ia para o interior, costumava passar os dias em um hotel em Serra Negra, tão grande, que só saía um dia do hotel para experimentar o café da cidade e visitar a lan house para aliviar minha crise de abstinência. Dessa vez, fui para um hotel menor em Águas de Lindóia, mais barato, mas com instalações bem mais novas e melhores. Quando falávamos de onde costumávamos ir, o pessoal nos falava do quanto aquele hotel era meio impessoal, pois era mais difícil conhecer outras pessoas, e fomos entender isso no final, pois o pessoal chamava nossos filhos pelo nome e nós também aos novos amigos das crianças.

Outro desafio era exercer a criatividade para sair do hotel e passear, aí foi outra grande surpresa, pois pude passar com as crianças momentos diferentes sempre pensando em momentos que fazem nossas férias e honram nosso descanso, momentos para experimentar coisas novas e receber novos insights para a vida. Fomos a uma fazendinha onde as crianças puderam conhecer os animais da fazenda e até tirar leite da vaca, eu nunca tivera esta oportunidade na minha breve vida paulistana. Teve um outro momento mágico para mim quando pude fazer arvorismo, há muito tempo queria experimentar essa aventura, e fui sozinho com o monitor tremer a 15 metros de altura de uma árvore a outra, foi fantástico, estava torcendo para não ter que enfrentar uma tirolesa daquela altura, mas não teve mesmo jeito, me conectaram todo ao cabo e tive que me lançar pra frente, isso me faz lembrar muito a questão dos riscos que tenho que tomar para vida, o passo é difícil, mas a descida é maravilhosa!

Levei meu notebook para dar alguma olhadinha na internet, só pude fazê-lo na segunda noite, li alguma coisa do Eugene Peterson “Leap over Wall” que me fez pensar muito durante o restante dos dias que estava lá, como minha esposa terminou de ler “A Cabana”, estive também à vontade para avançar alguns capítulos enquanto minha filha brincava até às 23hs. O fato é que pude aproveitar melhor esses dias todos quando estive mais disponível para jogar fliperama com um pessoal e conversar também, é isso que faz a vida.

Na volta, minha filha chorou, lembrei de alguns momentos da adolescência quando via muita gente chorar no final de acampamento. Embora ela não tivesse vendo as coisas dessa forma, prometi a ela me empenhar para promover mais momentos desse tipo de choro a ela.


Causa e consequência

Lembro quando houve o desmoronamento das obras da linha amarela do metrô, houve uma ameaça ao prédio da Editora Abril, o Pavarini postou uma conversa de dois babacas da Renascer em um chat imaginando que isso teria acontecido por causa das reportagens sobre a igreja na Veja. É um tipo de comportamento que foi assumido sem a menor vergonha nesse contexto, qualquer macumbeiro que morria era resultado de alguma vigília de oração, uma certa espiritualidade de video game. Tudo para mostrar para os crentes da igreja que estavam do “lado certo” dessa batalha espiritual. Foi o que senti quando vi a comunicação do líder da Renascer no próprio domingo, quando falou que “Deus teria um propósito para tudo isso”, parece aquelas frases óbvias quando um casal é flagrado pelo marido traído: “Não é o que você está pensando, eu posso explicar tudo isso“.

Esse afã em se provar a igreja que ainda se está no controle da situação e mostrar que Deus está do lado deles ainda me entristece. Jogar a responsabilidade para o mistério de Deus é muita esperteza. Há um porque para tudo isso, acidentes como esses não tem causa no” mundo espiritual”, mas no nosso mundo mesmo. Mas infelizmente as mentes mais espertas vão pensar em uma saída “espiritual” que mais uma vez vão livrar os responsáveis como já livraram do caso dos cinquenta e tantos mil dólares em espécie que entraram ilegalmente nos EUA. Coisas que chegam até a ser capazes de se esquecer das 10 vítmas que ocorreram e colocar o casal dono da igreja mais uma vez como a maior vítma, essa religião é realmente um ópio que dá um grande barato.


A TV não é o inimigo

Estou repensando minha relação com a TV.

A TV é importante pra mim. Eu cresci assistindo à TV, vi muita coisa boa, como muita coisa ruim, como muita coisa que não acrescentou em nada, é difícil não ver uma casa que não tenha uma TV bem posicionada em casa, e queira ou não, o relacionamento com a TV é uma escolha muito importante que toda família faz. Me marcou bastante quando estávamos na casa do Mark Scandrette, ele iria sair e deixar a casa com a gente, e falou que se a gente quisesse ver alguma TV (o que seria bem interessante ver como era lá em San Francisco), mostrou a TV que estava no chão, com a tomada enrolada.

Depois que assinei a uma TV, me libertei das novelas, ontem cheguei a assistir uma parte do final da “Favorita”, mesmo não assistindo um único capítulo, pelas conversas que se tem ao redor e pelas manchetes que você vê no UOL, dava até para entender o que acontecia, mas é engraçado pensar que quando uma novela começa, passando mais um tempo, você se lembra bem pouco do que a última novela falava, a penúltima, você não lembra mais nada, vão-se as histórias, ficam os valores. Saindo do mundo das novelas, chegou uma época que eu tinha uma grade semanal inteira dos seriados que passavam na TV, hoje estou meio perdido, ainda não consigo mas acompanhar nenhum deles como acompanhava antes.

A TV dá realmente um momento de descanso pra gente, eu me divirto muito com alguns programas, o problema é pensar o quanto ela pode ser central na minha vida. Quando a gente começa a ter algum propósito na vida, tem coisas que a gente realmente tem que repensar, se essas horas de TV são só distração, essas horas são também oportunidades perdidas.

É fácil meter o pau na TV como o inimigo da família, mas é preciso ter em mente que a TV é só o que escolhemos para nos entorpecer, pode ser a Internet, algum livro ou mesmo algum video-game, o inimigo mesmo é a nossa preguiça em colocar uma direção aos nossos dias e estas horas.

Se quero alguma coisa diferente para este ano, tenho que utilizar melhor o meu tempo muito difícil de se aproveitar, se quero que as coisas caminhem diferente, tenho mesmo que escolher o que fazer, se for assistir a um filme ou a algum programa interessante, OK, se for para ligar a TV para ver o que está passando, são horas que começo a despejar no ralo.

Nesses últimos dias, assistimos a alguns programas juntos (Phyneas e Ferbes é o campeão da família), mas desligamos a TV para a refeição e não faço muita questão de ligar novamente, só se tenho alguma coisa mais específica para assistir. Como o Phyneas mesmo faz, quero perguntar toda noite: o que vamos fazer hoje?

Sei também que isso não é só na minha casa, ontem a noite, o Brasil parou para ver o que iria acontecer com a Flora e a Donatella, daqui a seis meses, pouquíssimos vão lembrar do que aconteceu com elas. O que será que esse entorpecimento geral tem gerado? Como será que podemos propor algo melhor para eles?


Inspiração para este ano

Esta manhã, dois links mexeram comigo:

Eugene Cho – Eugene é o pastor da Quest, uma comunidade multiracial de Seatle que toca também a Q Café, um sonho de café missional na cidade, ele postou ainda hoje “thank God for George“, um agradecimento a um amigo seu que o acompanha desde quando começaram as primeiras reuniões para início da Quest. O que me marcou, foi ele lembrar da experiência de fazer os primeiros encontros quando ele distribuía vários convites e o preocupava saber se alguém viria. É o tipo de coisa que já passei várias vezes, promover alguns encontros e não ter a menor idéia de quem vai aparecer e a tensão de saber com que consideração as pessoas estão vendo estes momentos que você planeja com bastante carinho. Não é o tipo de atividade para quem não queira se machucar, não dá para promover estes encontros sem entrega. É um risco realmente inevitável, mas, considerando o que está em jogo, necessário, e vendo o que aconteceu somente 8 anos depois, animador.

Mennohauss – Descobri essa comunidade, pois o Renovatio Café foi linkado por eles e recebemos ontem a primeira visita, eles definiram a Mennohauss como uma “tradição ocasional de grandes amigos, comida saborosa, conversas significativas, arroz com feijão comunitários e aprendizado entre gerações”. Não deu para saber muito deles logo de início no blog deles, pois ainda são poucos posts, não sei se tem brasileiros no meio, por causa de um dos líderes ser chamado de Flávio e de terem arroz com feijão, mas creio que estão em um início de jornada, e já fizeram algumas coisas bem interessantes.  Eles me lembraram a Small Boat Big Sea, da Austrália, que gostam de marcar a celebração deles com boa comida, dá realmente uma cara muito generosa aos encontros.

É o tipo de coisa que me joga de joelhos para falar pra Deus, aí falo tantas coisas desde “ahh… de novo!” até “como? como? como? como?”. Quem já lê meus posts há mais tempo, já sabe o quanto tem dias que sou sensível a isso tudo. Sei lá, vamos ver o que a gente faz com esses sonhos todos!


Começando 2009

Tinha uns anos que eu começava imaginando uma folha em branco, muitas oportunidades para criar projetos extremamente novos e tornar as coisas realmente diferentes. Não vejo este ano dessa forma, mas isso não significa que não continue vendo tudo de forma bastante otimista. Vendo o último post, aconteceu tanta coisa legal no ano passado que não dá para não aproveitar tudo de bom que passei para ter experiências ainda melhores, não tenho mais uma folha em branco, mas tenho muitas ferramentas para tornar essa folha ainda mais bonita!


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