Direito ao silêncio

Estava pensando nisso nessa semana na praia, a medida que não temos como deixar de escutar uma música alta que disparam ao nosso lado, o sujeito que se acha no direito de tocar música alta a despeito da opinião de todos ao redor está invadindo minha privacidade e perturbando minha paz está de certa forma me violentando. Hoje mesmo encontrei um artigo muito interessante no Estadão a respeito: “O silêncio perdido”

Ser civilizado seria, assim, ser urbano: polido, educado, não invasivo, discreto, silencioso, responsável, participativo. Como na origem dos tempos, aliás, quando a polis grega foi traduzida na civitas e na urbe romanas, ampliando e entrelaçando seus significados. Palavras como política, cidade, urbanidade, civilização e civismo vieram daí. Cidadão tornou-se o indivíduo com direitos e deveres de cidade, isto é, referidos não somente ao espaço físico, mas também aos espaços públicos, compartilhados em comum com todos os habitantes.

Estávamos na praia, e no meio da tarde apareceu uma família com uma senhora caixa de som e começou a tocar para todos que estivessem na praia, uma senhora foi reclamar lá, eles riram de forma debochada e continuaram o show. Uma hora depois, apareceu dois policiais e eles falaram que só foi uma mulher reclamar com eles. É nessa base que funcionam estas coisas, no constrangimento. Foi algo que me deixou bem chateado.

Um mundo em que cada um faz o que acha que dá na cabeça acaba no pleno caos, acho também que o silêncio é o tipo de coisa que deveria ser mais levado em conta e algo mais discutido, pois é o espaço que temos e que dividimos com outras pessoas, se atento ao pudor tirando a roupa na frente de todos quando todos podem fechar os olhos, atentaria da mesma forma quando toco o que quero para todo mundo ouvir quando a única forma de evitar meu constrangimento seria saindo do local.

Tenho em mente que ser cidadão é saber dividir o espaço com todos, e isso envolve fechar os vidros do meu carro quando quero ouvir uma música mais alta, usar fones de ouvido para isso em casa ou prestar a atenção na movimentação de casa levando em conta o horário.

O motorista que buzina alucinado, o ônibus que trafega com o escapamento estourado, o motoqueiro que extrai o máximo de sua moto, a construtora que bate estacas em horários obscenos e o adolescente bem-nascido que barbariza seu prédio não têm relação alguma com o “caráter nacional”. Não são exemplos de espontaneidade e alegria, mas de má-educação. Expressam uma coletividade que perdeu consciência de si mesma, que se está tornando indiferente e pulverizada em ilhas de individualismo possessivo. São deformações e caricaturas perversas de uma cultura fundada na informalidade excessiva, produtos da modernização desregrada, excludente e predadora em que vivemos.

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